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Filosofia: Existêncialismo, Razão e Fé

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13/04/2021 às 20h10 Atualizada em 13/04/2021 às 23h09
Por: Redação Fonte: Redação
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Filosofia: Existêncialismo, Razão e Fé

Soren Kierkegaard, foi um teólogo e filosofo Dinamarquês, nascido em 1813 e falecido em 1855, após a morte de seu pai, Kierkegaard herdou uma fortuna considerável e se dedicou ao estudo da teologia, literatura e filosofia. Na época que era estudante o mesmo rejeitou o cristianismo, interessando-se assim pela filosofia de Hegel, conforme o tempo passava, começou a deixar Hegel e aproximar-se do cristianismo. contudo Soren acreditava que o Real cristianismo não era o pregado pela igreja na época, este fora duramente criticado por ele.

Kierkegaard acreditava que a verdadeira relação com Deus é uma relação absolutamente pessoal e que somente poderíamos chegar a ele através da livre escolha individual, não podendo está ser criada ou ditada por instituições.

A religião luterana na época de Kierkegaard, era a religião oficial presente na Dinamarca e o ensino religioso era praticamente obrigatório, já os integrantes do clero eram considerados servidores do estado Dinamarquês. Kierkegaard considera que esse sistema de controle e proteção estatal contraria os princípios básicos do cristianismo, tal sistema na verdade desencoraja a verdadeira religiosidade, cuja natureza é intensamente individual e não institucional.

Muitos religiosos na visão de Kierkegaard fazem apenas orações mecânicas, aceitando assim dogmas impostos por suas igrejas sem vivenciarem de fato uma relação intima, genuína, pessoal e emocional com Deus.

A Filosofia de Hegel, fora rejeitada por Kierkegaard por exaltar em demasia a lógica e a razão, deixando pouco espaço para o lado irracional e emocional da experiência humana, pelo mesmo motivo a ciência mecanicista tambem é rejeitada por Kierkegaard, já que ela concebe a natureza de forma semelhante a uma maquina, sujeita a relações automáticas e previsíveis.

Segundo Kierkegaard essa abordagem determinística nos impede de vermos os seres humanos como seres capazes de fazerem escolhas.

A Lógica e a Razão segundo Kierkegaard, são insuficientes para nos oferecer uma relação genuína com Deus, essa relação so existe quando conseguimos abraçar a existência de Deus sem necessitarmos de explicações logicas e racionais, mas essa relação também não pode ser ditada por igrejas, segundo o filósofo a verdadeira relação com Deus acontece por vias individuais.

Segundo Kierkegaard, a verdade não pode ser ensinada através de argumentos lógicos, ela precisa ser vivenciada.

No campo da religiosidade, quanto mais usamos a lógica para entender a Deus, menos a compreendemos, acreditar em Deus é uma questão de fé, de acreditar por livre escolha, sem a necessidade de comprovação baseada em fatos ou informações objetivas, Deus que é ilimitado e eterno não pode ser explicado, entendido ou provado pela lógica.

Ele deve ser compreendido pela fé, resultando em uma escolha muito pessoal do individuo.

Quando tentamos entender a Deus de maneira objetiva, nossos pensamentos começam a se contradizer e encontrar becos sem saída, a racionalidade não da conta de explicar aquilo que está alem da razão, para nos relacionarmos com Deus segundo o filosofo precisamos aceitar que existem coisas que de fato nunca iremos entender racionalmente, coisas para qual a lógica não alcança e não existem provas objetivas ou factuais.

Para Kierkegaard, Deus é o paradoxo absoluto, a contradição extrema, pois sabemos que ele existe; mas ao mesmo tempo não podemos prova-lo. A unica maneira de lidar com está contradição segundo o filosofo é através da Fé. Deus nos deu a fé para lidar com aquilo que não somos capazes de entender de maneira objetiva e racional.

Kierkegaard considera que devemos ler a Bíblia como se fosse uma carta de amor, deixar que as palavras nos toquem pessoalmente e emocionalmente, desse impacto emocional surge então o significado das palavras. As palavras de Deus deve ser vistas como tão preciosa quanto as palavras de um Amor. A Bíblia não deve ser lida com um dicionário do lado, assim como não ser lê uma carta de amor com um dicionário ao lado. 

Os significados das palavras devem vir do sentimentos que as mesmas despertam, ninguém esta autorizado a lhe dizer o que sentir enquanto lê as palavras, a interpretação deve ser única e exclusivamente sua, pois o seu sentimento e a sua interpretação definem o que há de verdadeiro nesta experiência. A verdade é a sua experiência subjetiva, mesmo que ela contradiga os dogmas das igrejas.

Por: Renato Rosa Franco

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