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Atleta cubano participante das Surdolimpíadas foge da delegação em Caxias do Sul

Representantes da delegação de Cuba no evento esportivo não quiseram comentar o caso do atleta Yunior Enrique Días Vazquez. PF diz que estrangeiro está em situação migratória regular.

13/05/2022 às 12h42 Atualizada em 13/05/2022 às 12h55
Por: Redação Fonte: G1/ Gaúcha ZH
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Atleta cubano participante das Surdolimpíadas foge da delegação em Caxias do Sul

Um atleta cubano que participava das Surdolimpíadas, em Caxias do Sul, na Serra do Rio Grande do Sul, pediu ajuda a um morador da cidade para fugir da delegação na terça-feira (10). Yunior Enrique Días Vazquez participava da prova de ciclismo, realizada na cidade vizinha de Farroupilha, e pediu carona até a rodoviária, onde pegou um ônibus.

Os responsáveis pela delegação de Cuba não quiseram comentar o caso. A Polícia Federal (PF) informou que ouviu, nesta quinta (12), uma testemunha do caso. Até o momento, não há indicativo da prática de crime por parte do atleta cubano. O estrangeiro está em situação migratória regular no Brasil, segundo a PF.

Um morador de Caxias do Sul que acompanhava a prova relata ter sido abordado pelo atleta, que pedia ajuda.

— Ele escreveu: "Preciso da sua ajuda". Ele olhava assustado, por cima do ombro, a todo o momento, apreensivo, e me chamou para dentro do salão paroquial, e fomos trocando mensagens. Ele disse que tinha pouca comida, só ração, não tinha roupa e nem trabalho, e que se não fugisse agora iria fugir em um bote para Miami. Para arriscar a vida assim, ele estava desesperado — conta o caxiense. 

A testemunha relata que em um determinado momento não entendia o que Vazquez queria, e então o atleta fez uma chamada de vídeo para uma missionária com quem se comunicava em libras e ela orientava o caxiense. O atleta desejava passar nos Pavilhões da Festa da Uva para buscar as coisas dele antes de ir até a rodoviária. Mas a missionária orientou diferente:

— Ela me disse que não, que era para levar ele direto para a rodoviária e que ele só precisava de ajuda para comprar a passagem, e que tinha o dinheiro. Me disse o destino e o horário. Estava tudo esquematizado, não foi uma oportunidade, ele já ia fazer isso. 

Após entrarem no carro, e quando estavam a caminho de Caxias, o surdoatleta fez uma nova chamada de vídeo. 

— Antes ele não emitia nenhum som enquanto usava o aplicativo, mas depois ele ficou eufórico, e até emitia sons e estava emocionado. Ele filmava a estrada. Eu fico emocionado quando lembro. Faria tudo outra vez, na hora, não pensei nas consequências, só quis ajudar. Eu resgato animais de rua, e, quando um ser humano te pede ajuda, é uma oportunidade com que a vida te presenteia. 

Na Polícia Federal, ele foi informado que o atleta podia ter pedido asilo: 

— Não sabia do procedimento certo naquela hora. Ele estava apavorado e só queria uma chance. Era o momento dele e eu estava lá para ajudar. 

Vazquez embarcou por volta das 14h30min da última terça-feira na rodoviária de Caxias para outra cidade do sul do país. 

Os integrantes da delegação de Cuba têm vistos temporários para permanecer no Brasil durante as competições das Surdolimpíadas. Os documentos têm validade até a próxima semana. Ao todo, 18 atletas do país competiam em cinco modalidades.

O comitê organizador das Surdolimpíadas informou que foi procurado por duas pessoas da delegação do Afeganistão, que desejam pedir asilo no Brasil. A entidade deve ajudar com os encaminhamentos junto à PF.

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