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Por que a Europa volta a ser o epicentro da Covid-19

Situação contrasta com a do Brasil, que vê avanço na vacinação e números de casos e mortes em queda. Mas é preciso lembrar: a pandemia não acabou

09/11/2021 às 09h33 Atualizada em 09/11/2021 às 10h32
Por: Redação Fonte: Veja
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Davide Pischettola/Getty Images
Davide Pischettola/Getty Images

A vacinação contra a Covid-19 no Brasil teve um início conturbado, mas a imunização atravessou resistências e barreiras e conseguiu avançar. Quase dez meses após a aplicação da primeira dose da vacina,  em janeiro desse ano, 56% dos brasileiros estão totalmente imunizados e praticamente três em cada quatro pessoas receberam ao menos uma dose do imunizante. 

Não há sinal de fim da pandemia à vista, mas a situação evolui de forma positiva – ainda que sob o peso da triste marca de 609 mil mortos. Já na Europa, o cenário vem sofrendo uma piora sensível e a Organização Mundial da Saúde (OMS) já deu sinais de preocupação. Há alguns motivos que justificam o atual cenário: flexibilização precoce das medidas de prevenção, taxas insuficientes de vacinação, além da circulação de novas variantes, a exemplo da delta – mais transmissível do que o vírus original. 

Um dos exemplos vem da Alemanha, que enfrenta uma “pandemia de não vacinados”, segundo autoridades de saúde locais. Os dados mais recentes do Instituto Robert Koch (a principal agência de saúde pública do país) mostram que a taxa de incidência de casos de Covid-19 no país atingiu novo recorde: 201,1 para cada grupo de 100 mil pessoas. Para comparação, em dezembro – antes de haver vacinas disponíveis – essa taxa era de 197,6 por 100 mil. Neste domingo, 7, o mesmo indicador estava em 191,5 e, há um mês, em 154,8. Não só isso: na sexta-feira (4), foram registrados 37.120 novos casos confirmados. O quadro só não é mais negativo porque esses aumentos de casos não têm feito as internações de pessoas com Covid-19 dispararem.  Hoje, essas internações são menos de 4 por 100 mil, na média móvel de sete dias (que chegou a ser de 15 por 100 mil em dezembro). 

Há pouco menos de 15 dias, o Reino Unido registrava em média 45 mil novos casos por dia – nada menos que a segunda maior taxa em números absolutos no mundo (a primeira é a dos EUA). Mais de 65% da população britânica foi imunizada, o que contribui, como no caso da Alemanha, para que as internações não disparem. Mas mostra que o coronavírus está ainda em alta circulação – o que eleva tanto o risco de que mutações possam ocorrer como o de que ele ultrapasse a barreira vacinal e chegue a populações mais vulneráveis. 

Outros países do continente reintroduzem medidas restritivas como forma de conter o avanço da doença em suas populações, como é o caso da Letônia. A Holanda também informou que vai reerguer as medidas de restrição, assim como a Bélgica já reintroduziu algumas. Na Grécia, a ocupação de UTIs passa de 80%, sendo que há um mês estava pouco abaixo de 70%.

O diretor da OMS para a Europa, Hans Kluge, disse na semana passada que se continuar nesse ritmo crescente, a região europeia pode perder mais meio milhão de vidas até fevereiro de 2022. Ainda segundo a organização, o número de casos na Europa e na Ásia Central aumentou 6% em uma semana. As mortes subiram 12% e as duas regiões combinadas respondem hoje por 59% dos casos confirmados no mundo, e quase metade das mortes. Kluge, aliás, avaliou que, entre as causas para a volta do aumento de casos está a decisão de muitos países de afrouxar restrições, como uso de máscaras e distanciamento social. Alguns já vinham, inclusive, ensaiando uma reabertura ao turismo, com a aceitação de visitantes imunizados. 

A China também está num momento crítico. O governo anunciou em algumas províncias programas de testagem em massa – mesmo à noite, numa estratégia de “Covid zero”. A população foi alertada para inclusive estocar alimentos e itens essenciais. 

Declarada em 11 de março de 2020, a pandemia de Covid-19 completa 20 meses na próxima quinta-feira. Nunca será demais lembrar: não há fim de pandemia em vista. Todos os países sofreram com a doença e em alguns o ritmo da vacinação está muito lento – mais de 55 estão abaixo de 10% da população vacinada.  Os danos de origem econômica vão reverberar por anos à frente, com os abalos causados em cadeias produtivas e as pressões inflacionárias. Os causados à educação são no mínimo tão graves, não só devido ao desarranjo de calendários escolares como à própria capacidade cognitiva de crianças e jovens. Mas a pandemia não vai acabar pelo simples desejo de que acabe – no Brasil, na Europa ou em qualquer lugar. Em meio a tantas dificuldades, é preciso manter as medidas de proteção amplamente enunciadas: distanciamento social, higienização frequente das mãos e uso de máscaras. Além, claro, de tomar a vacina. 

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