Sexta, 17 de Setembro de 2021
16°

Céu encoberto

São Borja - RS

Policial Portal Fronteiriço

Bicheiros de São Borja e região procuram Polícia Civil para denunciar chantagem de facção

.

13/09/2021 às 14h22 Atualizada em 13/09/2021 às 14h30
Por: Redação Fonte: Gaúcha ZH
Compartilhe:
Divulgação PC
Divulgação PC

De tanto sofrerem extorsões, banqueiros do jogo do bicho de São Borja e outras localidades fronteiriças suspenderam as apostas na semana passada. Elas devem ser retomadas, mas os donos da jogatina clandestina querem segurança. E até tomaram uma rara providência: procuraram a Polícia Civil, de maneira informal, para se queixar do assédio de uma facção do crime organizado, que exige um percentual sobre os lucros do jogo.

Conforme os bicheiros,  a facção é o Primeiro Comando do Interior (PCI), que atua apenas na Fronteira Oeste. Os dois maiores líderes do grupo criminoso estão presos, inclusive um deles fora do Estado. Mas isso não impede a expansão dos negócios ilegais. Um deles é o avanço sobre atividades clandestinas e tradicionais na região de fronteira, como o contrabando e a jogatina.

Os cinco maiores bicheiros de São Borja, que atuam há décadas, receberam ligações por vídeo em seus celulares, dos chefes do crime organizado. A exigência é que, juntos, façam uma “caixinha” de R$ 12,5 mil por semana destinada à facção. Do contrário, sofrerão as consequências.

Os bicheiros se recusam a pagar a propina e já colhem as represálias. Há duas semanas, três motoqueiros que recolhem malotes com o faturamento da jogatina foram assaltados. Um deles desistiu do serviço, os outros estão amedrontados e falam em pedir as contas.

Contrariados, os banqueiros do bicho falam em montar milícias para reagir aos assaltantes.

— A coisa vai ficar feia, porque não vou desmontar um negócio que tenho há décadas por causa de ameaças. Se a situação continuar assim, vamos resistir — anuncia um dos bicheiros.

Os bicheiros procuraram a delegada Elisandra Batista, que responde pela Polícia Civil em São Borja. Foi uma reunião informal, com pedido de proteção.

— Explicamos que a situação será investigada, mas que eles tampouco estão livres para bancar o jogo — informa a delegada.

A policial se refere à legislação que proíbe a exploração de jogos de azar no Brasil. Ela infringe a Lei das Contravenções Penais (Decreto-lei 3.688, de 1941) e prevê pena de prisão, de três meses a um ano, aos infratores. Na prática, ninguém fica preso, porque a pena é baixa.

A preocupação das autoridades é evitar um surto de homicídios na cidade.

Conforme estimativa dos bicheiros, a jogatina emprega cerca de mil pessoas em São Borja, entre apontadores (que registram as apostas), arrecadadores (que recolhem o dinheiro) e banqueiros (que montam o negócio). As apostam movimentam cerca de R$ 35 mil por dia, só que mais da metade vai para as despesas e pagamento de prêmios.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Ele1 - Criar site de notícias