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Como nossa saúde mental está sendo afetada pela pandemia?

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03/09/2021 às 09h28 Atualizada em 03/09/2021 às 10h58
Por: Redação
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Como nossa saúde mental está sendo afetada pela pandemia?

Há um ano e meio, aproximadamente, vivemos um período de grandes transformações, externas e internas. Externas pelo surgimento de uma doença causada por um vírus mortal, que não escolhe idade, raça, gênero ou cor, ou seja, pode afetar a todos nós. E internas, pois a existência desse vírus interferiu e segue interferindo em toda nossa vida, nossa rotina, nossos sentimentos, pensamentos, ações, enfim, em toda a nossa subjetividade. A pandemia chegou arrebatando a todos, nos obrigando a vivermos isolados, saindo apenas para o necessário, e impondo uma série de cuidados que antes nem imaginávamos. Com o isolamento e toda a incerteza deste momento, fomos nos tornando mais preocupados, ansiosos, inseguros quanto ao futuro. As perdas que se seguiram ao início da pandemia geram mal-estar e dor em diversos níveis. Perdemos amigos, familiares, empregos, investimentos, sonhos. A dimensão deste sofrimento é imensurável, e certamente cada um de nós carrega um tanto dele em algum aspecto da vida.

Um dos pilares que nos sustentam como seres humanos é a necessidade de uma interação social. É necessário que consigamos manter relações humanas, estreitar laços de amizade e amor, momentos de lazer e de convívio social, além das relações de trabalho e familiares. A pandemia nos restringiu nesse sentido, precisamos frear nosso contato interpessoal em nome de nossa própria proteção e sobrevivência. Sem dúvida alguma, pagaríamos com nossa saúde mental o preço dessas transformações. Dessa forma, transtornos pré- existentes se agravaram, e outros novos surgiram. Passamos a ter muito mais medos e preocupações excessivas, alterações no sono e apetite, instabilidade emocional, desmotivação.

O vírus traz consigo a fragilidade da vida, levando do nosso convívio pessoas jovens e saudáveis, que, pela nossa lógica ilusória de vida e morte, deveriam estar a salvo. Dessa forma, podemos perceber nossa vulnerabilidade de uma forma escancarada. A partir de todo esse cenário de dores e lutos, nossa saúde mental, já há muito tempo, começou a dar sinais de exaustão. Podemos observar diversas formas de adoecimento psíquico a partir da pandemia, tais como aumento de transtornos depressivos e de ansiedade, síndrome do pânico e fobias, agravamento do abuso de substâncias e dependências químicas, aumento dos casos de violência doméstica, aumento de casos de suicídio e tentativas de suicídio, inseguranças no campo do trabalho, perdas financeiras, desemprego, que também fizeram surgir sentimentos de desamparo e impotência, entre tantos outros padecimentos que, certamente, se agravaram com a crise gerada neste período.

Infelizmente, sabemos que o sofrimento psíquico gerado pela pandemia, não se extingue com ela, ou seja, a longo prazo, podemos esperar o surgimento de novos transtornos como os já citados, incluindo, em grande proporção, transtornos de estresse pós-traumático e síndrome de Burnout (esgotamento mental, já muito comum nos trabalhadores de saúde/ linha de frente).

Logicamente, não há uma receita de como lidar com tanto sofrimento sem adoecer, porém, algumas ações no nosso dia-a-dia talvez possam ajudar a preservar um pouco nossa saúde mental. Podemos por exemplo, limitar o acesso de informações trágicas durante nosso dia, manter-nos em atividade física e mental, buscar atividades que nos sejam prazerosas, preservar uma rede de apoio que seja suporte para momentos de angústia, procurar ter uma alimentação equilibrada, cuidar bem de si e de seus vínculos de apego, familiares e de amigos, ainda que com as medidas restritivas. É importante que, dentro do que nos é disponibilizado hoje, consigamos nos encontrar e nos mover, em busca de um futuro, que aparentemente está cada vez mais próximo, livre de pandemia.

Lisiane Jacques Kessler – CRP 07/ 10826

Psicoterapia Online (55) 99964-5287

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