Top Trânsito
Agropecuária Centauro
Ropel Distribuidora de Bebidas - Super Banner
Portal Fronteiriço
Alemão - Super Banner
Ratinset - Super Banner Topo
Portal Fronteiriço
Japa EAD
Portal Fronteiriço

Conheça a história de Darlan Witchaki, são-borjense apaixonado pelos estudos

.

16/07/2021 10h56Atualizado há 1 semana
Por: Redação
Fonte: .

Meu nome é Darlan Fagundes Witchaki, sou são-borjense nascido em 12/12/1997, filho da Adilce e do Darci (in memoriam) e irmão da Débora. Minha infância e adolescência foram dedicadas aos estudos e muitos aprendizados profissionais – talvez por isso é que eu entendo “de tudo e mais um pouco”. 

Meus pais eram agricultores e, sempre que sobrava um tempo nos estudos, eu os ajudava na lida de casa. Na escola fui um aluno bastante esforçado, o que me proporcionou algumas “recompensas”: durante quatro anos, no Ensino Fundamental, fui agraciado com a cortesia de uma viagem para o Parque Lago Azul! Fiquei muito realizado!

Mas como a vida é repleta de altos e baixos, passei por uma fase bastante difícil, em 2011. Foi quando eu perdi o meu pai. Fiquei muito abalado, sem entender nem aceitar o que estava acontecendo. Graças a Deus consegui superar essa fase e voltar a me dedicar aos estudos. Concluí o Ensino Médio e me dediquei aos estudos para o ENEM. Consegui uma vaga para cursar Jornalismo, na Universidade Federal do Pampa. Um novo caminho se abria para mim.

O jornalismo sempre esteve presente na minha vida de certa forma, e eu não percebia. Sempre que acontecia algum acidente, nas redondezas da minha casa, lá estava eu acompanhando de perto os fatos para que, depois, pudesse contar para os amigos e conhecidos através do Facebook. Acabei ingressando no curso em 2017 e concluindo em 2021. Durante a vida acadêmica desenvolvi um crescente apreço pela profissão e me empenhei a cada disciplina cursada. 

No ano de 2019, participei do concurso “Primeira Pauta”, promovido pelo jornal Zero Hora, aberto para estudantes de todas os cursos de Jornalismo do RS. Concorri com mais de uma centena de candidatos com a pauta “São Borja, a terra do ouro escondido”, pois naquela edição eles propuseram que cada candidato apresentasse algo que fosse curioso e identificasse sua cidade. Fiquei entre os finalistas que tiveram a oportunidade de passar uma semana na redação de ZH, acompanhando os profissionais e realizando trabalho de campo. 

Também em 2019 tive a oportunidade de ingressar como bolsista voluntário no grupo de pesquisa do projeto “Jornalismo Humanizador em Crônicas do Cotidiano”, conduzido pelos Profs. Drs. Adriana Duval e Miro Bacin e vinculado à produção de reportagens semanais para a coluna “Crônicas da Cidade”, da Folha de São Borja. Desde então, venho contribuindo, semanalmente, com pautas e entrevistas para contribuir à produção de memória sobre São Borja cidade e seus personagens. Um trabalho que busca uma relação mais humana e igualitária entre os diferentes segmentos da sociedade, e no qual faço questão de permanecer, agora como jornalista colaborador. 

Em 2020 comecei a adquirir experiência no jornalismo impresso, como estagiário da Folha de São Borja. De lá para cá – continuo como colaborador – produzi reportagens especiais, sobretudo matérias voltadas à coluna de Sustentabilidade. Essa atividade oportunizou momentos de aprendizado não apenas sobre a técnica jornalística, como também sobre cidadania e responsabilidade social, levando informações, alertas e bons exemplos aos leitores.

Como se deu o processo para iniciar a escrita do seu livro?

“Em busca do ouro escondido – histórias e lendas sobre tesouros debaixo da terra” teve como ponto de partida a participação no Projeto Primeira Pauta de ZH (2019), quando percebi que o assunto era muito amplo e os estudos sobre o tema mereciam ser aprofundados. Matriculado na disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), eu e minha orientadora, Profª Adriana Duval, decidimos que seria um ótimo assunto para a confecção de um Projeto Experimental. Dei sequência às pesquisas e entrevistas sobre o tema até culminar na estruturação do conteúdo em forma de livro-reportagem. 

No livro abordei aspectos históricos, desde a descoberta e a exploração do ouro no Brasil, passando por disputas territoriais nas quais havia a eminência dos inimigos levarem as riquezas alheias. Finalizei com histórias de pessoas de São Borja que têm relação com o tema, conhecendo as lendas, relatando episódios, falando sobre sua busca e sobre o encontro de “enterros”.

Quais foram as dificuldades que encontrou para escrevê-lo?

A principal dificuldade para a confecção do livro foi fazê-lo em meio à pandemia. Eu estava acostumado a entrevistar presencialmente, mas tive que fazer as abordagens de forma remota, o que se torna mais desgastante e nem sempre rende tanto. Algumas das fontes tinham dificuldades de lidar com a tecnologia, então abri algumas exceções, tomando todos os cuidados necessários quanto ao distanciamento e higienização para ir entrevistá-las e conhecer os itens que elas encontraram debaixo da terra.  

Também teve a coleta de dados junto a pesquisadores da cidade, que foi fundamental. Mas o mais desafiador, e que faria – e fez – toda a diferença na produção, foi localizar e convencer pessoas ligadas à busca ou ao encontro de ouro escondido aqui em São Borja. Compreendi, de imediato, que precisaria haver uma relação de confiança, para elas me entregarem suas histórias. Fui persistente, e até insistente mesmo, confiante de que conseguiria. Com quem tinha receio de revelar suas histórias, combinei de preservar a identidade, recorrendo a nomes fictícios no texto. Deu certo. Ganhei, além de bons depoimentos, bons amigos. 

Alguém auxiliou você nesse processo?

Sim. Durante toda a produção do livro-reportagem contei com o auxílio da minha orientadora de TCC, profª, Adriana Duval, no acompanhamento, revisão do material e sugestões. Para o projeto gráfico e diagramação tive a colaboração da jornalista Gabrielli Leiria, também formada pela Unipampa. A impressão foi feita em gráfica expressa, e a montagem foi confeccionada artesanalmente pela Dionisia Souza, especializada nesse tipo de serviço aqui na cidade. 

A banca de defesa do livro, como Trabalho de Conclusão, contou com a avaliação dos professores da Unipampa Miro Bacin e Muriel Pinto, que fizeram importantes considerações sobre o assunto e a produção. O livro foi indicado para ser lançado, e estou na fase de captação de recursos para viabilizar uma tiragem mínima. 

Poderia nos contar um pouco sobre o livro? 

O livro aborda aspectos históricos e culturais envolvidos na procura pelas riquezas subterrâneas, desde os primórdios dessa prática na história do Brasil até o presente momento. Hoje em dia ainda há resquícios de uma tradição: a proteção dos bens de valor através de seu “enterro” –, procurados e, por vezes, encontrados na cidade de São Borja.

O objetivo foi investigar o que há de mito e realidade em torno da crença nas fortunas que existiriam debaixo da terra e que, há gerações, mobilizam pessoas, por hobby ou por “revelações” sobrenaturais (sonhos ou manifestações), a prospectarem o subsolo em busca de tais preciosidades. A obra foi constituída de pesquisas bibliográficas e documentais, somadas a um trabalho de campo, com entrevistas e observações para obter evidências e testemunhos sobre o tema.

Ao todo ficou com 103 páginas, nas quais desenvolvi cinco capítulos: Cap. I – Brasil, um país de riquezas; Cap. II – Tesouros jesuítas: seriam apenas lenda?; Cap. III – As invasões de São Borja e os “enterros”; Cap. IV – Superstições e lendas; e Cap. V – A busca pelo ouro escondido. É o sexto livro da série “Memória São Borja”, organizada pela Profª Adriana Duval desde 2018, que conta com a produção de livros-reportagem sobre a cidade, seus personagens e histórias, como Trabalhos de Conclusão de Curso.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.